Portugal em crise

Instabilidade política e económica

"No momento em que estamos a negociar com a 'troika', toda essa agitação em torno das contas públicas não é certamente uma agitação adequada ou benéfica. Acho que já vai na quinta. Começa a tornar-se um pouco ridículo e creio que o PSD vai pelo mau caminho", afirmou Vitalino Canas, em declarações à agência Lusa.

Para o socialista, as cartas do antigo ministro das Finanças social-democrata colocam perguntas cuja resposta pode obter-se "na maior parte das vezes" através da consulta de dados "que são públicos".

Por outro lado, Vitalino Canas acusa o PSD de montar uma "encenação", para justificar o facto de ainda não ter apresentado o programa eleitoral.

"As cartas inserem-se um pouco na encenação do PSD de dizer que não conhece a situação do país porque ela é ocultada pelo Governo e por isso não pode apresentar as suas propostas. A sucessão de cartas, se no início podiam criar algum impacto, a partir do momento em que se repetem deixam de ter qualquer tipo de impacto e passam simplesmente a ser ridículas", reforçou.

Nesta carta enviada em nome do PSD a Pedro Silva Pereira, com conhecimento dado à missão conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE), Eduardo Catroga acusa o PS de, com as suas políticas dos últimos seis anos, ter colocado Portugal "à beira da bancarrota", como não acontecia "desde 1892".

Por outro lado, o antigo ministro das Finanças justifica a divulgação pública das cartas enviadas pelo PSD ao executivo sobre a negociação da ajuda financeira externa a Portugal, defendendo que "a transparência corresponde ao superior interesse nacional e não a opacidade que tem caracterizado a atuação do Governo".

Na carta enviada, Eduardo Catroga recorda que o PSD pediu ao Governo, a 13 de abril, "informações atualizadas sobre a real situação das contas públicas" e acesso à "informação técnica fornecida pelo Governo à Missão e por esta solicitada" e que se queixou, entretanto, de que a resposta recebida no dia 26 de abril "era muito insuficiente".

O Governo, numa outra carta enviada pelo ministro da Presidência, de 29 de abril, "continua sem responder ao solicitado e faz sobretudo considerações de ordem política que o PSD repudia", escreve o economista.

"Senhor ministro, estamos a 2 de maio e o PSD não recebeu a devida informação. A responsabilidade pelo facto tem de ser imputada ao Governo, e só ao Governo", acrescenta.

"Apesar do nosso insuficiente acompanhamento, pelas razões expostas, de todo o processo, o PSD não deixará de assumir as suas responsabilidades em defesa dos superiores interesses de Portugal", conclui Eduardo Catroga.

Lusa