Há quase 40 anos, uma menina de ar traquina rouba o pudim que o avô se prepara para comer. Uma história com menos de 10 segundos, contada a preto e branco, sem vozes, apenas com uma música e uma mensagem que se agarrou a várias gerações. Esteve no ar já a televisão tinha ganho cor, na década de 80.

Nesses anos, era também um hábito, deixar entrar em casa, durante o período de Natal, uma outra menina. De olhos azuis, grandes, curiosos, seguia o relato de um senhor com alguma idade. Uma história, neste caso, com o sabor a chocolate e com a dimensão de uma certa magia que nunca se perdeu. O anúncio esteve mesmo no ar durante 18 anos. Quase inédito, na história da publicidade.

A menina do "Boca Doce" ou a menina das "Fantasias de Natal". Relatos de um período marcada por um certo encanto, sem grande produções, com o recurso a familiares e amigos.

Há ainda outras histórias. A bebé da papa Cerelac, de bochechas redondas e face feliz. Bebé de um ano, na altura, em 1985.

Dez anos mais tarde, um outro anúncio com um impacto imprevisível. Um pastor agarra num telemóvel e diz ao povo que, se ele podia, quem não podia? O anúncio quase que democratiza um aparelho que até aí parecia estar acessível apenas aos que se enquadravam numa certa "gaveta" social. Quem é e o que é feito do pastor?

São quatro histórias dentro da caixa da televisão. O Perdidos e Achados encontrou-os. Cada um, com uma história marcada pelos anúncios que ficaram gravados em VHS, em CD, em DVD. Mais que tudo, ficaram para sempre gravados na memória.


Jornalista: Luís Manso
Imagem: Pedro Carpinteiro
Edição: João Nunes
Produção: Diana Matias; Madalena Durão
Coordenação: Sofia Pinto Coelho
Direcção: Alcides Vieira